Céu da Boca, primeiro livro de poesias de Isabel Mueller, é dividido em quatro partes, que correspondem aos quatro elementos: água (Pelos fluxos); terra (Pelas peles); ar (Pelas vozes) e fogo (Pelas lavas).
Pelos fluxos é o retrato de sentimentos, das águas uterinas, oceânicas, da fluidez. Pelas peles é o cântico à sensualidade, à Eros. Em Pelas vozes ecoam falas, linguagem, silêncio.Pelas lavas é a transgressão, a vida e morte entrelaçando-se nos umbrais do tempo.
Céu da Boca é mergulho e vôo; é cosmos e pele; é a geometria das estrelas e da poesia.
Obra editada pela PAPEL& VIRTUAL EDITORA, Rio de Janeiro.
Conheça algumas poesias desta obra:
No abraço eu percebo
o que une ou desintegra
a fusão de peitos jeitos
em bocas diversas
que em versos traduzo
introduzo
Onde buscas não é um lugar
é um ser mais que estar.
Onde aprendes não é em letras
é em pedras da estrada viver.
Onde amas não é um sexo
é uma alma a reconhecer.
O distante logo ali
é mais belo que o agora bem aqui
(e seu relógio sem trégua)
No longe das léguas
traço o destino
entre o arbítrio
e o infinito.
A palavra é pele
e treme de desejo
quando paira no ar
das reticências...
No centauro dos dias
o cavalo alado recriou fantasias
e percebeu-se que a solidez matéria
é criação da mente.
Se soubéssemos da maestria
arbítrio generoso...
Mas os deuses
de amnésia proveram o homem
para que norte e vida
descobrissem.
Que posso querer
se a alma dorme
nos sons que não permito.
Que tudo seja breve
não exclui o infinito...
A vida respira-se
mansa ou urgente
artérias do querer
gozos da mente.
A vida vive-se
bela ou indiferente
no canto das galáxias
no medo nas falácias.
A vida e a morte
entrelaçam-se no anoitecer
luz e sombra
do eterno renascer.
Vejo uns leitos, uns dentros
uns entres que em meu ventre crescem.
E a alma, o vento de sempre
Indecente penetra em mim
E a lembrança, luz de minha alma
Perece um gozo de fel
No mel de mim.
E nos mastros, nos lastros
Astros espaços
Céu da boca
o grito de mim.
E quero o sal, longe do mal
(tão dentro) e fora de mim
Se leio revolvem as armas
que aqueço em palavras
suaves do mel de mim.
Se escrevo nos mundos
muros do existir, bate no coração
simples fuzil da revolução de mim.
E cuspo as lavas, as taras
que suaves deixei de mim.
E me atiro à vida
na morte do ontem
renascer de mim.
Sou deusa
Sou anjo
Sou carne
E viverei
Das asas de mim.

